Raspando o meu perímetro, ferindo-me os sons e a resistência, crispação férrea, não fenece a repercussão cíclica da tua garra. Meus pensamentos são interjeições arremessadas contra a fundura dos murmúrios, chão abissal. Como uma fera castrada, a maniota vergando-lhe o impulso irado, és a chama extinguindo-se no amplexo funéreo dos meus planos de pessoa. Sim, és o pneumococo ardendo consoante expiro.
Desenraízado da cidadela, polarizei, sem polimatia que não com a pretensão, líbido dos conceitos perdendo a carga. Mais que a massa, pesa-me a terra desertando os meus confins, espalhando-se sob a poalha característica do dia de abatimento. A silhueta do tronco é o substantivo cuja etimologia é incerta, solilóquio nas acústicas hécticas pelas quais recordam e pintalgam os zumbidos algum soçobro inquieto.
És a cruzada constante e o círculo, e eu as centelhas de bruxa que falhou a mágica de flanquear, descabelado sem fruto. Oh, ábditos músculos doendo pela floresta, seus tantos verdes tão verdes, tão externos... tão intrinsecamente externos, tão mais externos que eu...
............. frrrrt frrrrrrrrrrt (A noção disso arranhando, silvedos.)
artigos de excursões sem fim nem princípio, no algo enevoado horizonte do Não, o desprezo do típico como inegável paixão..
Mais distensões de mim:
Outros que tais:
um Abade às Fatias
, the bittersweet cherry flavour
, sobreposições no cenário-Hugo
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
sexta-feira, março 23, 2007
domingo, março 18, 2007
O definido dos contextos apazigua, ao enquadrá-las, as diversas pinceladas metafísicas que ele sabe e/ou descobre, autor, consciência e exercício fundindo-se. Serve de covil improvisado para as feras desordenadas do passado, que rasgam e dilaceram a planície durante o processo de síntese faminta. Covil, mas não abrigo, pois perdura a chuva confusa e real na urbe diurna, precipitando-se por sobre os charcos e encharcando os quadros difíceis. Surrealizou-se a promessa, e a ambição desfaz-se nesse ateliêr pobre de contorno, cuja difusa miséria se abate e repercute nos artistas assim privados de escolha, do métier. Da míngua e estéril impaciência se soergue um vigilante, húmido. Pelas esquinas, caminha e aguarda qualquer desenlace, qualquer traço de alma passível de ser desembocadura dessa fluvial tempestade, perdida que está, escoada que está a palette de viver, arrastada pela sarjeta indiferente a cores, a temas e ao cumprimento nele divino.
Hoje, entretanto, eclipsei-me à circunstância vazia. Espero por um regresso teu, ó imponderável manhã da interacção respeitosa, que me faça regressar para reocupar o intérmino labirinto de abrir-me, respirar-me e sublimar a minha busca por uma paz maior, suprema. Rendido do resto, de joelhos para o pórtico que dá para a rua mundana que conduz aos verdes jardins, volto costas ao altar e observo como é breu o ontem, como é esquecimento o saber. Um cansaço absoluto desce sobre mim e fecha-se em meu torno, como uma mão cujo braço está prestes a perder as forças e assim o exprime. Preconizo apenas, sonhador mínimo, o amor e o carinho independentes de tudo que, com a maior das simplicidades, as almas passageiras ofertem à minha habitual orfandade.
sábado, março 17, 2007
Revolvo o meu desequilíbrio uma nova vez e mal reparo como, das sombras de ondas que espumo com a caminhada cambaleante, fumega discreta a essência do ontem. O intoxicante odor a cinza adverte-me, sugestionando a erosão e até a perda, e sei os momentos como uma sina. Onde estou, que torneei a esquina de algo e do demasiado vago? Onde estou, que se me metaboliza a palavra pela rua desértica em que secam as vestes, os estendais de ninguém?
Da cultura, céu escrito ou colocação, entornada pela providência e raridade, embebo o filho abastardado num esboço de perspectivar entendimentos. Reverto as transformações e entrego-me, fiel por uma escassa eternidade à solene procissão de alma que é a precisão da paciência que reveste, numa esperança de recuperar uma outra, mais sincera e interior... Mas uma rajada de aspereza sublinha o gesto perdido, o peso do livro por ler, e as suas capas de nunca, encerrando o conjunto a ilusão de enquanto eu me permiti fingi-la. Foi emanando, do gesto de folhear, a côr alva e sólida das páginas, em lugar da transparência do conhecimento.
Sopro a mentira da lágrima. Restam por baixo as sensações esporádicas, reactivas. É da circunstância que emanamos, não tanto do método ou costume. A flôr recolhida aprecia o seu centro, nocturna, e aguarda a carícia de um novo astro que a permita sorrir a serenidade do perfil, mesmo entre o todo categórico e uníssono de apreciações diatónicas do que é.
Da cultura, céu escrito ou colocação, entornada pela providência e raridade, embebo o filho abastardado num esboço de perspectivar entendimentos. Reverto as transformações e entrego-me, fiel por uma escassa eternidade à solene procissão de alma que é a precisão da paciência que reveste, numa esperança de recuperar uma outra, mais sincera e interior... Mas uma rajada de aspereza sublinha o gesto perdido, o peso do livro por ler, e as suas capas de nunca, encerrando o conjunto a ilusão de enquanto eu me permiti fingi-la. Foi emanando, do gesto de folhear, a côr alva e sólida das páginas, em lugar da transparência do conhecimento.
Sopro a mentira da lágrima. Restam por baixo as sensações esporádicas, reactivas. É da circunstância que emanamos, não tanto do método ou costume. A flôr recolhida aprecia o seu centro, nocturna, e aguarda a carícia de um novo astro que a permita sorrir a serenidade do perfil, mesmo entre o todo categórico e uníssono de apreciações diatónicas do que é.
Como cisnes fluindo, passeando por sobre a coloração esbatendo-se recortada pelas sombras das árvores de fim de tarde, as frases derivantes na vaga impaciência que as velhas margens fitam, os seus verdes cansados de sempre. Uma ou outra ardilosa inspiração transparente, patas que se agitam no salpicado instante de ameaçar o golpe de asa, e até a inquietação é por fim airosa na maneira como se dissipa, concêntricas perturbações fugazes à quietude iniludível da superfície, apartadas pelo temeroso abraço díspar da impossibilidade turva da coesão. As rãs coaxam à passagem, recebem a sonolência da noite impondo-se ao seu desespero formal. Subjacentes à paisagem, os ruídos de fundo são-no cada vez mais, e é essa a verdade que emerge dos últimos raios de sol translúcidos, desmistificando a profundeza e os nenúfares. Ainda, uma conforme jangada permite recolher esses pedaços, como quem colecciona recortes de jornal para os estampar numa tela difusa e ritualista, memórias compulsivas e fugidias, membros saudosos de um mero corpo.
segunda-feira, março 05, 2007
Vestígios de som, lembranças na noite
Os ecos nocturnos da arte
relembram que sofro e que sou,
relembram quanto existo e dou
à escura selva de almejar-te.
Em gestos eternos a sorte
atiça o galope, e a guarida
sua dista del' tão sofrida
o mesmo que a vida da morte.
Na bruma, pela voz envolta
(carrocel de minh'alma louca)
me entrego à intérmina volta
de te querer mais cá e boca
a beijar o querer ter-te solta,
tontura após ânsia... a voz rouca...
sexta-feira, março 02, 2007
Eternamente, no limiar da espiral me provoco e à vertigem de repetir as alturas. Oscilo, e caem de mim as folhas que taparão, eixo abaixo, o centro da terra. A desorientação entranha-se nos ares que inalo, árvore abandonada. Podada a conquista do tempo, multiplica-se cada segundo uma míriade de invasões, rasto arenoso de tempestade, e a floresta vista de cima tinge-se confusa de limalha de rocha. O vôo é um músculo violentado pela asa, um abraço maior que o seu diâmetro. Famílias inteiras são laços quebrados, projectadas para o longe antes sequer de constituídas. Perde-se aos poucos a pertinência das frases, e os sentidos ressentidos não mais se enamoram do afim, escondidas as flores almadas no canteiro visual, seu disfarce múltiplo murchando, varanda que definha por ser arquitectura antes da casa. Escorre tinta velha, a frântica erosão rasgando-a.
Assim se despedaça o ambicioso apogeu aéreo, Ícaro após Natureza (incompleta, clareiras).
Assim se despedaça o ambicioso apogeu aéreo, Ícaro após Natureza (incompleta, clareiras).
quinta-feira, março 01, 2007
A vós:
Queríeis ver-me, produto, na leitura...
De ter do mundo uma centalha de magia
a acender-se pela chama desse dia
são ambições, vosso interesse ou a ternura.
São mitos do que sois, traje ou costura,
hábitos vossos de vestir ou de tecer,
imagens que às cores quereis rever,
abjecta a escuridão e amargura.
Mas deste fraseado não se avista
que a dôr exposta feia e verdade
cuspindo pela estética prevista!
Do côro irracional que há p'la cidade
falso artista social? Antes autista...
Minha é a voz sem personalidade!
Queríeis ver-me, produto, na leitura...
De ter do mundo uma centalha de magia
a acender-se pela chama desse dia
são ambições, vosso interesse ou a ternura.
São mitos do que sois, traje ou costura,
hábitos vossos de vestir ou de tecer,
imagens que às cores quereis rever,
abjecta a escuridão e amargura.
Mas deste fraseado não se avista
que a dôr exposta feia e verdade
cuspindo pela estética prevista!
Do côro irracional que há p'la cidade
falso artista social? Antes autista...
Minha é a voz sem personalidade!
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